segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Um sonho transformado em texto

Esse texto é baseado em um sonho perturbador que tive na semana passada.
A angústia foi tamanha que eu tive que registrar aquilo na mesma hora. Era madrugada, eu não queria esquecer. Então narrei e gravei. Coisa de maluco? Pode ser. Freud explica rs...

***

"Hoje eu sonhei com você. Estava em nossa casa, deitada no sofá da sala, que tinha paredes rosa, um tom escuro, misturado ao branco... os móveis com detalhes dourados.

Eu olhava para os móveis quando eu acordei. A sensação foi a de que havia muito tempo desde a última vez que eu estive naquele lugar. Era como se eu tivesse voltado àquela casa. Eu abri os olhos, como quem acabara de acordar.
Naquela casa só havia solidão. Eu estava sozinha. Eu olhei ao meu redor e só havia solidão. Eu fui tomada por ela, que encheu meu peito. Ao mesmo tempo, eu sentia medo... medo daquela solidão. Ela estava sentada comigo naquelas poltronas vazias que me cercavam.
No meu coração só havia solidão e medo. Eu então senti a sua presença. Eu olhei para o corredor e o vi passando do quarto para o banheiro. Meu coração se encheu ao revê-lo... Havia tanto tempo desde a última vez... Foi como se eu voltasse a ver a vida. Ainda havia medo em meu coração, mas eu senti amor. Eu relembrei esse amor. Porém, eu tive medo de chegar perto de você. 
Eu novamente olhei ao meu redor. Lá só havia solidão, mas ao revê-lo, havia, agora, vida também.
Levantei-me. Eu estava com medo, mas eu me levantei. Eu me aproximei de você. Eu o abracei. A iniciativa foi minha. Você me deu um sorriso meio sem jeito... abraçou-me, entrelaçou seus braços em minha cintura e se encostou na parede. Você estava com uma barba meio rala, aquela que você usava vez ou outra... Eu encostei meu rosto no seu e disse "saudade", uma das poucas palavras que você entendia em português... E você entendeu, naquele dia você entendeu ainda mais o que era saudade, porque você pôde senti-la em mim. 
Quando os seus olhos se cruzavam com os meus, era como se eles pudessem penetrar minha alma. Você podia ver tudo através dos meus olhos. Mas eu via pouco através dos seus. Eu via medo, também vi amor e saudade. Mas você não se abria... apenas se deixou ouvir e abraçar... E eu senti você. O meu corpo, que antes estava envolto por uma triste e gélida solidão, estava agora aquecido pelo seu amor, mas principalmente, pelo meu amor.
Havia medo ali... havia medo, e tristeza, e amor, e saudade... Eu então acordei. Acordei pra realidade. Tudo foi um sonho. Mas eu senti você comigo, mesmo depois de acordada. Você estava aqui. Você sempre esteve aqui... Você sempre foi todo o amor, medo e solidão que eu sentia e ainda sinto. Você está comigo o tempo todo, mesmo que eu não queira, você está aqui... o tempo todo. Quando eu penso que não está mais, você volta através de meus sonhos. Você me visita sempre que eu penso que não está mais aqui. Você não sabe... não sabe o que você representou na minha vida... Agora tudo é lembrança e solidão."


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sobre o fim do meu casamento (09/10/2016)

Casei-me aos 26 anos, em 2012.
Apesar de ter sido de uma forma pouco convencional, era meu casamento, com o amor mais doido e mais forte que senti até hoje. Foi tudo tão rápido, mas tão intenso... Há quem me ache louca, afinal, não foi fácil. As diferenças culturais, a vida nova em todos os aspectos: país, cultura, hábitos... tudo, tudo novo.

Eu vivo em um constante luto desde que meu casamento acabou. Eu o alimentei como pude, dei tudo o que podia e não podia, chorei, superei questões até então inimagináveis para mim... mas eu fiz por ele e por mim, porque, por mais que eu sofresse, eu estava feliz por estar ao lado dele.

Todos os clichês cabem perfeitamente nesse texto... todas as dores, todo o amor.

Ele não sabe desse blog, desse texto... ele não sabe de meus pensamentos, mas ele sabe que ainda está aqui comigo.
Nada apaga de minha memória a última semana que estive em nossa casa, nossa cama... nada apaga a dor que eu senti ao me dar conta de que eu jamais estaria com ele daquela forma, que talvez nunca mais o visse novamente. É minha ferida aberta.

Eu fujo de mim mesma, mas quando eu volto, lá está tudo em seu devido lugar: seu cheiro, a memória de seu abraço, do toque das minhas pernas entrelaçadas nas dele... até do meu choro baixinho, pra não acordá-lo, já pressentindo que aquilo tudo um dia seria só memória.

Eu não tenho mais pra onde ir.

...




terça-feira, 5 de maio de 2015

Saudade (23/08/2015)

Quando amamos alguém que não está mais ao nosso lado, aprendemos a conviver com uma dorzinha eterna no fundo do peito.
Por vezes nos revoltamos com ela e buscamos negá-la desesperadamente. Então, mentimos pra nós mesmos dizendo que está tudo bem, que vai passar. Mas não é bem assim... não sei se vai passar.
A saudade nos faz delirar. Por vezes sinto que ele vai voltar, vai pedir perdão, vai dizer que me ama e que sente saudade. Isso não vai acontecer, é fato. Mesmo que ele me amasse, isso jamais aconteceria. E não sei por que, mesmo com a plena certeza de que isso jamais acontecerá, eu permaneço aqui, fiel a ele.
Já lutei muito contra esse sentimento que, hoje, só me traz dor e que assim vai ser enquanto ele existir.
Eu busco respostas que não encontro. Então, eu o busco em minhas memórias, pra "matar a saudade"... mas na verdade, a saudade é que acaba me matando. 



Memórias (23/08/2015)

Hoje revi seu rosto colado ao meu. Um beijo que ficou registrado em uma fotografia revela o amor que eu sempre senti por você.
Os dias passaram, os anos passaram, mas eu ainda sinto que parei no tempo, no dia em que você disse que não queria mais nosso casamento.
Todos os dias eu tento entender o turbilhão de coisas que aconteceram desde que você chegou em minha vida.
O que fazer com essa dor, com essa saudade, com essas memórias que consomem a minha alma diariamente.
Estou cansada. Já pensei em desistir de tudo e parar de sofrer. Mas não consigo, então sigo dolorosamente, exausta.





segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O impossível (23/08/2015)

Hoje eu sonhei com você.
Um sonho que tem se repetido há muitas noites desde que você se foi.
Eu fujo em vão do que eu sinto. Não adianta, você sempre vem à noite me atormentar, encher meu coração para depois, ao despertar, parti-lo novamente.
E assim eu tenho seguido, tendo meu coração partido diariamente por sonhos que agora não serão mais do que apenas sonhos.
Penso que lhe prometi de tal forma a fidelidade que agora traio a mim mesma tentando, em vão, desviar-me de você, que segue enquanto eu permaneço aqui, sendo fiel a um sonho meu que se foi e nunca mais voltará.
Quem diria que esse amor se tornaria impossível para mim, que não sabia o que significava tal palavra... para mim, que eliminou todas as barreiras para que eu me tornasse sua e então meu sonho se concretizasse. Eu estive só e agora, mais do que nunca, permaneço só. Eu lutei, ah, como eu lutei! Eu posso dizer que só Deus sabe o que eu fiz para estar com você... E quem diria que depois de tudo o que foi feito, eu estaria só, sonhando com sua volta, com seu amor.
Mas isso não passará de sonhos, então, vou continuar seguindo, reconstruindo-me, na medida do possível, diariamente até, enfim, chegar ao ponto final, seja ele qual for.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sobre aqueles que sofrem

Às vezes, penso o quão pequenos e frágeis somos diante das dores que nos consomem, as dores da vida. Como pode um sentimento tomar conta de nossa vida toda, contaminar tudo, tirar a graça das coisas boas?
E quando nem mesmo a fé é capaz de guiá-lo, de lhe tirar da sarjeta que existe dentro você, que o paralisa, que tira o brilho da vida? 
Pergunto-me por que algumas pessoas são tão fracas. Por que não conseguem lidar com o sofrimento de maneira digna, sem se entregar de forma covarde às dores da alma? O mundo é tão grande, há tanta coisa para se fazer... No entanto, esses indivíduos se recolhem em sua dor e deixam a vida passar, como se sentissem pena de si mesmos. Eles esperam que alguém seja capaz de se importar e de salvá-los, enquanto, na verdade, não há nada e nem ninguém que possa ajudá-los a não ser eles próprios.
Questiono-me também se a ignorância não seria a solução para os problemas dos angustiados, pois, presumo que aqueles que pensam demais, sofrem proporcionalmente. Aliás, não sou nada genial ao concluir isso: Aristóteles já o fez há séculos. A mediocridade também contribui para a degradação mais completa do indivíduo que sofre.
Bom, já pensei demais e sofri proporcionalmente por hoje.
É isso.


Daniele Aquino, 08/10/2014



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sobre amores não correspondidos (23/08/2015)

Nada mais clichê do que falar de amores não correspondidos... Mas sim, essa é uma inspiração para escrever... afinal, dói guardar pra si um amor. Amor de verdade quer transbordar, quer contagiar... mas quando o objeto desse amor o recusa, então cabe a nós, infelizes que somos, transbordar em palavras, em lágrimas... quem sabe assim o amor vai embora.
Eu amo e não sou correspondida e isso dói, e sufoca, e incomoda, e dói novamente, e vai, e vem... Isso devia ficar guardado só pra mim, afinal, amores não correspondidos não fazem parte da lista dos vencedores, pelo contrário. Aquele que ama e não é correspondido se sente um perdedor, as pessoas não querem ouvi-lo ou entendê-lo... O único conselho a dar é: um dia passa! Olhe pros lados, você vai encontrar alguém! Ele não prestava, esqueça isso! etc
Mas e se eu quiser amar mesmo sem ser amada? E se eu quiser chorar ao ouvir todas as músicas que falam de minha dor ou que me fazem lembrar dele? E se eu quiser continuar olhando nossas fotos e velar esse relacionamento que acabou? 
O que é o amor, afinal? Amar nunca foi sinônimo de ser feliz. Álvares de Azevedo não me deixa mentir. 
Sim, eu amo aquele homem que tanto me fez sofrer, que me machucou, pisou em cima do meu coração. Sim, eu fui atrás dele mil vezes e sim, hoje eu desisti de tentar e tentar... mas eu não deixei de amá-lo. Isso dói, mas está aqui e insiste em ficar ainda por um bom tempo a me corroer por dentro, a me roubar lágrimas e sonhos que não deveriam mais pertencer a ele e que, no entanto, nunca deixou de sê-lo.