segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O impossível (23/08/2015)

Hoje eu sonhei com você.
Um sonho que tem se repetido há muitas noites desde que você se foi.
Eu fujo em vão do que eu sinto. Não adianta, você sempre vem à noite me atormentar, encher meu coração para depois, ao despertar, parti-lo novamente.
E assim eu tenho seguido, tendo meu coração partido diariamente por sonhos que agora não serão mais do que apenas sonhos.
Penso que lhe prometi de tal forma a fidelidade que agora traio a mim mesma tentando, em vão, desviar-me de você, que segue enquanto eu permaneço aqui, sendo fiel a um sonho meu que se foi e nunca mais voltará.
Quem diria que esse amor se tornaria impossível para mim, que não sabia o que significava tal palavra... para mim, que eliminou todas as barreiras para que eu me tornasse sua e então meu sonho se concretizasse. Eu estive só e agora, mais do que nunca, permaneço só. Eu lutei, ah, como eu lutei! Eu posso dizer que só Deus sabe o que eu fiz para estar com você... E quem diria que depois de tudo o que foi feito, eu estaria só, sonhando com sua volta, com seu amor.
Mas isso não passará de sonhos, então, vou continuar seguindo, reconstruindo-me, na medida do possível, diariamente até, enfim, chegar ao ponto final, seja ele qual for.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sobre aqueles que sofrem

Às vezes, penso o quão pequenos e frágeis somos diante das dores que nos consomem, as dores da vida. Como pode um sentimento tomar conta de nossa vida toda, contaminar tudo, tirar a graça das coisas boas?
E quando nem mesmo a fé é capaz de guiá-lo, de lhe tirar da sarjeta que existe dentro você, que o paralisa, que tira o brilho da vida? 
Pergunto-me por que algumas pessoas são tão fracas. Por que não conseguem lidar com o sofrimento de maneira digna, sem se entregar de forma covarde às dores da alma? O mundo é tão grande, há tanta coisa para se fazer... No entanto, esses indivíduos se recolhem em sua dor e deixam a vida passar, como se sentissem pena de si mesmos. Eles esperam que alguém seja capaz de se importar e de salvá-los, enquanto, na verdade, não há nada e nem ninguém que possa ajudá-los a não ser eles próprios.
Questiono-me também se a ignorância não seria a solução para os problemas dos angustiados, pois, presumo que aqueles que pensam demais, sofrem proporcionalmente. Aliás, não sou nada genial ao concluir isso: Aristóteles já o fez há séculos. A mediocridade também contribui para a degradação mais completa do indivíduo que sofre.
Bom, já pensei demais e sofri proporcionalmente por hoje.
É isso.


Daniele Aquino, 08/10/2014



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sobre amores não correspondidos (23/08/2015)

Nada mais clichê do que falar de amores não correspondidos... Mas sim, essa é uma inspiração para escrever... afinal, dói guardar pra si um amor. Amor de verdade quer transbordar, quer contagiar... mas quando o objeto desse amor o recusa, então cabe a nós, infelizes que somos, transbordar em palavras, em lágrimas... quem sabe assim o amor vai embora.
Eu amo e não sou correspondida e isso dói, e sufoca, e incomoda, e dói novamente, e vai, e vem... Isso devia ficar guardado só pra mim, afinal, amores não correspondidos não fazem parte da lista dos vencedores, pelo contrário. Aquele que ama e não é correspondido se sente um perdedor, as pessoas não querem ouvi-lo ou entendê-lo... O único conselho a dar é: um dia passa! Olhe pros lados, você vai encontrar alguém! Ele não prestava, esqueça isso! etc
Mas e se eu quiser amar mesmo sem ser amada? E se eu quiser chorar ao ouvir todas as músicas que falam de minha dor ou que me fazem lembrar dele? E se eu quiser continuar olhando nossas fotos e velar esse relacionamento que acabou? 
O que é o amor, afinal? Amar nunca foi sinônimo de ser feliz. Álvares de Azevedo não me deixa mentir. 
Sim, eu amo aquele homem que tanto me fez sofrer, que me machucou, pisou em cima do meu coração. Sim, eu fui atrás dele mil vezes e sim, hoje eu desisti de tentar e tentar... mas eu não deixei de amá-lo. Isso dói, mas está aqui e insiste em ficar ainda por um bom tempo a me corroer por dentro, a me roubar lágrimas e sonhos que não deveriam mais pertencer a ele e que, no entanto, nunca deixou de sê-lo.




segunda-feira, 7 de abril de 2014

E as coisas mudaram, mas nem tanto...

Olá, queridos...

Depois de muito tempo, volto ao blog para dar o ar da graça! rs....

A vida mudou... Comecei a trabalhar em uma escola religiosa e optei por tirar o hijab. Não foi imposição da escola, mas eu imaginei que ali não caberia eu continuar a usar tal vestimenta, uma vez que instituições religiosas (independente da religião) costumam optar pela paz e não pela polêmica rs... Precisava do emprego e não quis arriscar, fui à entrevista sem véu e, como consegui o emprego, não voltei a usá-lo.
Foi triste, difícil... só quem usa véu sabe o que ele representa... é, em primeiro lugar, uma forma de submissão à Allah (Deus) e depois, para mim, uma forma de identidade. Eu espero que um dia eu possa voltar a usá-lo.
O trabalho novo é muito bom: pessoas educadas, crianças e jovens interessados, colegas de trabalho muito queridos. Allah me abençoou muito com essa nova oportunidade e por isso só tenho a agradecer: El hamdulillah (graças a Deus) por tudo! Também continuo com o pré-vestibular, que é uma das minha paixões =)
O coração continua batendo, menos agitado, porém, ainda cansado e abalado por tudo o que aconteceu na minha vida nos últimos tempos... Há dias bons e ruins, dias em que estou animada, outros que eu queria desaparecer. Mas, graças a Deus, a cada dia, uma nova chance... Vamos seguir firme.

Grande abraço!
Boa semana.

domingo, 3 de novembro de 2013

Sobre amores que chegam ao fim (10/11/2013)

Já dizia Cazuza que o amor "quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu"... Confesso que sou dramática e minhas dores de amor demoram um bom tempo pra curar...
A cada fim, uma dor... não foi a primeira vez e talvez não seja a última, mas dói como se fosse incurável... como se fosse eterna.
Eu não acredito que amamos uma única vez na vida, mas que a cada novo amor, amamos de maneira diferente... cada amor é único... 
Devemos, vez ou outra, nos permitir cometer loucuras por amor... a minha cota de loucuras já venceu, não quero mais me dar ao luxo! rs 
Apesar do "insucesso", valeu a pena cada passo que eu dei, cada atitude que tomei, cada loucura que fiz.
Quando falei pro meu amigo que meu casamento "não deu certo", ele me disse algo que dificilmente pensamos nessas horas: "deu certo enquanto durou, quem disse que tem que ser pra sempre?"
Temos a tendência a querer que as coisas boas durem pra sempre... mas, quem disse que se durasse pra sempre seria bom. E por que tudo tem que durar pra sempre? Por que não conseguimos apreciar os bons momentos quando o amor chega ao fim? Tudo se torna ruim a partir do momento que o fim é determinado... as lembranças passam a ser dolorosas, queremos apagá-las a qualquer custo de nossas memórias... Por quê? 
Infelizmente, não sou evoluída a ponto de pensar dessa forma... Eu amei, eu sonhei, eu tentei... mas no final, acabou... e então, tudo o que vivi passou a ser doloroso pra mim, não quero mais lembrar, pelo menos não agora.
Quando analiso friamente a situação, vejo que 80% da minha dor é relativa ao meu ego. Dói ser rejeitado, ainda mais por aqueles que eram tudo pra nós, para os quais nos dedicamos por tanto tempo e com tanta intensidade... Dói quando um sonho se desfaz, quando você não tem mais controle da situação, quando seus argumentos já não funcionam... 

A cada fim, uma chance de viver um novo amor. E quando paro pra pensar no medo de sofrer - típico dos que acabaram de passar por um rompimento - eu penso que nós, humanos, somos mais frágeis do que imaginamos, mais complexos do que gostaríamos.




sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sobre a separação (01/11/2013)

Olá, pessoal... Hoje vou falar um pouco sobre separação.

Todas as vezes que nos relacionamos com alguém por quem nos apaixonamos, sempre desejamos que essa relação não chegue ao fim e nunca estamos preparados para lidar com isso.
Cada um tem uma forma diferente de lidar com o fim do relacionamento... Eu sou do tipo que, com o perdão da expressão grotesca, espreme a ferida ao máximo, para que a dor, embora aguda, passe o quanto antes.
Dessa vez está sendo mais difícil do que eu podia imaginar... talvez pelas circunstâncias, talvez pela intensidade em que vivi esse relacionamento, talvez por ter sido um casamento e não apenas um namoro... não sei, só sei que 4 meses já se passaram e a dor continua aqui, latejando no meu peito.
O fato dele morar em outro país contribui, afinal, sei que dificilmente eu o verei novamente... isso dói quando você ama e não é correspondido, afinal, pra quem ama, o simples fato de ver a pessoa já traz certo conforto para o nosso coração.
(Texto não concluído)



domingo, 29 de setembro de 2013

Sobre a vida no Egito - parte 1

Boa noite, pessoal!

Hoje vou falar um pouco da minha visão sobre o Egito, onde vivi durante 1 ano.
Mudei-me para o Egito em julho de 2012 e retornei em junho de 2013. Durante esse tempo, vivi a vida real do povo egípcio, não a vida glamurosa dos turistas. Vivi com uma família de classe média-alta, em El Fayoum, há uma hora da Capital Cairo.
O Egito é um país do Norte da África, com uma população de aproximadamente 90 milhões de habitantes, com maioria muçulmana sunita e tem o árabe como língua oficial. Apesar disso, quase todo mundo sabe um pouco de inglês, então é possível se virar por lá sem saber árabe.
No Egito também há cristãos (algo em torno de 10% da população), mas não são romanos, são coptas. Não sei nada sobre cristão coptas, mas sei que eles têm um Papa no Egito, há poucas igrejas mas elas costumam ser bem grandes, é fácil identificar um comércio cristão pois sempre há fotos do Papa, de Jesus Cristo, etc, e eles costumam ficar próximos um do outro, na mesma rua, por exemplo. 
Cristãos e muçulmanos vivem em harmonia no Egito, mas sim, os cristão reclamam de certos direitos que eles não possuem, como a permissão para construir igrejas, por exemplo. Não sei ao certo como isso funciona, mas me disseram que eles precisam de autorização do governo, que nem sempre a concede. A reforma da Constituição pelo ex-presidente Mohamed Mursi também provocou comoção entre os cristãos, uma vez que não deu ouvidos às necessidades dessa minoria e estava repleta de leis islâmicas.
Embora o Islam permita que homens muçulmanos casem-se com cristãs e judias, é muito difícil isso acontecer no Egito. Eu não conheci nenhum caso. 
Em geral, notei um sentimento de ódio a Israel por parte dos egípcios. Quase não há judeus vivendo lá e os que haviam aos poucos foram deixando o país. Eles se orgulham muito da vitória contra Israel (Guerra de Yom Kippur, 1973) e por isso há milhares de lugares e comércios chamados de 6th Octuber (6 de Outubro).
O Egito é um país pobre, que sofre com necessidades básicas como coleta de lixo, trânsito desorganizado, falta de água e energia, limpeza nos locais de atendimento médico, etc. 
Certa vez vi um coletor de lixo (que trabalha para o governo) manuseando o lixo sem luvas. Fiquei muito triste em ver o risco que ele corria por um salário tão baixo e por uma questão tão primária. Esse tipo de situação é muito comum por lá.
Há muitas crianças e idosos nas ruas pedindo dinheiro, olhando carros, trabalhando nos comércios. E isso é tão comum que não via as pessoas sensibilizadas por isso. Eu ficava com o coração apertado quando eu era cercada de crianças pedindo dinheiro. Muitas vezes a pessoa que estava comigo era dura com essas crianças, mandando-as saírem de perto, o que me deixava ainda mais triste... mas é quase impossível você dar conta da esmola no Egito, há muitas pessoas na rua pedindo dinheiro, além disso, você tem que dar gorjeta em 90% das situações em que você precise de alguém por lá. Se você der dinheiro pra todo mundo, não vai gastar menos do que 30 libras (10 reais).
O assédio por parte dos homens é absurdamente grande. Se uma mulher sai sozinha ou acompanhada de outra mulher, a cada momento que você cruza com um homem ele te dá uma cantada. Não sei o que eles falam heheh... mas uma vez uma amiga disse que eles falam algo como "gatinha" haha. Certamente há mais coisas do que isso, mas ela preferiu não comentar. Eles não encostam em você, apenas te olham como se você estivesse nua e falam um monte de coisa (em árabe, pra nossa sorte hahah). Se você estiver acompanhada de um homem, eles olham mas não falam nada. No metrô, há vagões exclusivo para mulheres, o que é muito bom, uma vez que na lotação sempre tem quem se aproveite das mulheres.
No Egito eles brigam muito, o tempo todo. Acho que foram muito poucas as vezes que saí sem ver uma briga na rua. Na maior parte das vezes é só gritaria, outras, porrada.
O trânsito no Egito é caótico, muito difícil atravessar a rua, pois não há sinalização (semáforos não servem para nada em 99% dos casos), por isso, é necessário se aventurar entre os carros. Olha só:


Essa matéria da CNN é bem interessante, mas não estou conseguindo colocar o player aqui, então, lá vai o link:



Há muitas coisas para se falar sobre o Egito. Hoje falei mais dos pontos negativos (talvez porque eu esteja de TPM hahah) mas em breve eu postarei sobre outros aspectos desse país.

Abraço!